SOBRE O FUNDADOR
O Ser
Raiz.
O casal Filippe Raulino da Silva e Anna Rosa da Silva tem 6 filhos: Pedro José (1844); Francisco Raulino da Silva (1848); Benedito (1858); Antônio, Antônia e Luís (1861). Todos oriundos do Ceará, agora, radicados na antiga Vila de Nossa Senhora dos Humildes-PI (depois Alto Longá), desde 1876.
Francisco Raulino da Silva, nascido na Vila de Tauá-CE, em 31 de maio de 1848, e chega à Vila dos Humildes com 28 anos de idade. Ele exerce vários cargos – Membro da Comissão de Socorros Públicos da Vila de Humildes (atendia flagelados da seca); Delegado de Polícia; Inspetor Literário Provincial; Juiz Municipal do Termo de Humildes; Vereador; Procurador da Câmara; Presidente da Junta Classificadora de Escravos; Curador Geral de Órfãos; e Promotor Público. Depois de 15 anos, muda-se para outro povoado.
Assim, em 20 de setembro de 1891, o Capitão Francisco Raulino da Silva (é usual a compra de patente militar), acompanhado da mulher Anna Francisca da Silva e do filho Ludgero Raulino da Silva, chega ao povoado de São José dos Altos de João de Paiva e já compra alguns lotes de terra do fundador da cidade, João de Paiva Oliveira, com o qual, mais tarde, passa a disputar território político. Mais tarde, essa disputa se direciona para os Barbosas, descendentes de João de Paiva. A primeira casa de telha desse povoado é construída pelo Capitão Francisco Raulino, pois as outras 9 casas do local são cobertas de palhas e de chão batido, e ocupadas pelas famílias Saraiva, Barbosa, Almeida, Simeão, Vale, Cleto, Viana, Ferreira de Sousa (Cazuza) e Soares da Silva.
Em 1892, o Capitão Francisco Raulino abre uma loja de tecidos nacionais e estrangeiros; e compra de gêneros de exportação: peles, cera de carnaúba e algodão. Com isso o povoado passa a prosperar rapidamente. Não tarda aparecer comerciantes concorrentes. Nesse período, por iniciativa própria, ele traz a Coletoria Estadual, tornando-se o primeiro Coletor; no ano seguinte, junto ao Governador do Estado, o Capitão Cariolano de Carvalho e Silva, ele consegue o primeiro Destacamento Policial para o povoado. Em pouco tempo passa a ocupar o cargo de Inspetor de Ensino, e adquire verba para a perfuração de um poço público e a construção de um açude.
Em 1896, o Capitão Francisco Raulino implanta a Agência Postal Telegráfica. Um homem inteligente, explosivo e exaltado na defesa do que é justo, membro do Partido Liberal, opositor ao regime vigente, recebe do ex-Governador Anísio de Abreu (1862†1909) a alcunha de Vulcão. Vale lembrar que, com a suspensão do Partido Liberal pelo advento da Proclamação da República, em 1889, Francisco Raulino ingressa no Partido Democrata.
Em 1905, o Capitão Francisco Raulino da Silva experimenta uma forte concorrência com o comerciante português José de Almendra da Fonseca Freitas, radicado na Vila do Livramento, hoje José de Freitas, fica arruinado economicamente, sofre uma desilusão política e entra em depressão. Infelizmente, não resiste ao impacto emocional e comete suicídio. A viúva Anna Francisca da Silva prossegue no ramo do comércio.
Pois bem, após essa breve introdução ao contexto familiar, sob o aspecto da “raiz”, vem a relação parental de Sebastião José Saraiva Filho com o Capitão Francisco Raulino da Silva.
Francisco Raulino da Silva casa com Damiana Mendes da Silva, natural da Vila de Humildes, e tem uma única filha – Damiana Raulino da Silva – e fica viúvo em 1870, aos 22 anos de idade. Depois casa-se com a também viúva Anna Francisca da Silva, tendo um único filho: Ludgero Raulino da Silva.
A filha Damiana Raulino da Silva casa com Tomaz Gomes do Nascimento e tem 3 filhos – Isauro Raulino Gomes; Joana Raulino Gomes (depois Joana Raulino Saraiva); e Francisca Raulino Gomes, depois Francisca Raulino de Almeida, a Chiquinha (03/07/1892†30/07/1980). Depois na segunda núpcias com o prof. Francisco Costa (Mundico Costa). Vem a falecer em 1902, deixando 4 filhos pequenos.
Joana Raulino Gomes nasceu em Altos (30/06/1888†16/06/1967); casa-se aos 20 anos com Sebastião José Saraiva (21 anos), filho de Sebastião José Saraiva (já falecido) e Francisca Alcides Saraiva, em 11/04/1908, na residência de Anna, segunda esposa do seu avô. Ela fica viúva, mas com 8 filhos: José Raulino Saraiva (27/07/1910†07/07/1990); Alzira Raulino Saraiva; Alice Raulino Saraiva (depois Alice Saraiva do Rêgo), 03/04/1911†04/01/1993; Adelcina Raulino Saraiva (faleceu adolescente); Josias Raulino Saraiva (15/07/1913†27/10/1984); Sebastião José Saraiva (27/10/1917†09/04/1988); Luís Deusdedit Raulino Saraiva (13/12/1918†14/12/2003) e Honório Raulino Saraiva (31/10/1923†10/01/1993).
Sebastião José Saraiva casa com Raimunda Nonata Gomes Saraiva e tem 11 filhos: Maria da Graça Gomes Saraiva (natimorta); gêmeas Maria da Graça Gomes Saraiva (falece em 24 horas) e Maria do Socorro Gomes Saraiva; Sebastião José Saraiva Filho; Carlos Alberto Gomes Saraiva; gêmeos Maria de Jesus Gomes Saraiva e José de Jesus Gomes Saraiva; Jeffesson Gomes Saraiva; Claudionor Gomes Saraiva; Paulo Afonso Gomes Saraiva; e Maria de Lourdes Gomes Saraiva.
Sebastião José Saraiva Filho, nascido em 4 de julho de 1947, no bairro do Monte Castelo – ali próximo à linha do trem “São Luís-Teresina”, junto ao portão da Carioca, uma indústria de óleo de coco, onde hoje funciona o Hospital Sarah Kubitschek – em São Luís/MA.; filho de Sebastião José Saraiva (27/10/1917 † 09/04/1988;71a) e de Raimunda Nonata Gomes Saraiva (18/01/1915 † 01/01/1983; 68a), sendo o 4º filho de uma prole de 11. Desses, faleceram 6: Maria das Graças, nos primeiros dias de vida; Maria das Graças, gêmea com a Maria do Socorro, nos primeiros dias de vida; Carlos Alberto Gomes Saraiva, aos 7 anos de idade; Paulo Afonso Gomes Saraiva, aos 3 anos de idade; e os gêmeos, José de Jesus Gomes Saraiva (09/04/1952 † 19/11/2014; 62a) e Maria de Jesus Gomes Saraiva (09/04/1952 † 12/08/2024;72a). Os demais são: Maria do Socorro Gomes Saraiva (17/05/1946); Sebastião José Saraiva Filho (04/07/1947); Geffesson Gomes Saraiva (02/11/1954); Claudionor Gomes Saraiva (28/05/1955); e Maria de Lourdes Gomes Saraiva (29/10/1957).
A trajetória cíclica do garoto.
Saraivinha, como é chamado, aos 3 anos de idade, muda-se com a família para a cidade de União/PI, a convite do primo do pai, o Deputado Federal, Ezequias Costa, para assumir a função de Guarda-fios, na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, o que vem acontecer após seis meses, trabalhando como fiscal do Mercado Municipal de União. A nomeação chega, indicando a cidade de Alto Longá para a sua apresentação e tomada de posse. Ali trabalha por 2 anos, quando recebe a sua transferência para a cidade de José de Feitas/PI, onde permanece por apenas dois anos, sendo transferido de volta para Alto Longá. Em 1958, a pedido, o servidor é transferido para Bacabal/MA; e no início de 1961, por razão de saúde, se aposenta e retorna a São Luís, passando a fixar residência no bairro do Monte Castelo, à rua 11 de Outubro, número 119. Saraivinha retorna ao bairro onde nascera.
O pai, enquanto chefe de família e provedor da casa, conta com a participação da esposa, sempre atuando como dedicada comerciante, numa quitanda instalada quase sempre no próprio prédio residencial, a melhorar a renda familiar.
Essa união de força do casal, o exemplo de luta e cumplicidade, a vida pautada nos valores éticos e religiosos e o reconhecimento do estudo como fonte de aprimoramento da pessoa rumo à sua realização constituem a base na qual se assenta a formação desse SER humano. Aliás, um filho muito amado e estimulado no seu potencial existencial, pelos pais.
Numa linha do tempo, fatos & fotos pertinentes.
Em 1950, aos 3 anos de idade, no auge da acalorada campanha das eleições presidenciais, com vitória para o candidato Getúlio Vargas (48% dos votos válidos), filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Saraivinha, ao andar de ônibus, sentado no colo da mãe, costumava surpreender a todos, gritando: Viva Getúlio Vargas!
Em 1953, aos 6 anos de idade, residindo em José de Freitas, acontece um episódio marcante: a criança percebe que a mãe geme e chora, reclamando de dor. Imediatamente, o pai sai, vai à rua e retorna acompanhado por um senhor vestido de branco e conduzindo uma maletinha preta. Os dois chegam e adentram ao quarto onde a mãe continua a gemer e a chorar, enquanto a criança, apreensiva, permanece na sala. Mas ligada na situação.
Depois de algum tempo, o senhor se despede da mãe, agora sem gemer, portanto, sem dor; e o pai o acompanha até à porta, onde agradece e se despende do mesmo.
Aquela cena na cabeça da criança é muito mágica, e lhe devolve a tranquilidade roubada pelos sentimentos de ansiedade, angústia e impotência diante do sofrimento da mãe.
Então, a criança, segura de que o senhor já havia saído, pergunta ao pai: quem é esse senhor?
– É o médico, ele responde.
– Quando eu crescer, vou ser médico, também, afirma o filho.
Essa manifestação do Saraivinha causa admiração aos pais que, a partir de então, passam a comentar regularmente entre familiares e amigos, mantendo o acontecimento sempre vivo na memória da criança.
Em 1955, aos 8 anos de idade, agora retornando a Alto Longá, passa por uma experiência bem original. O pai adquire um cavalo e duas vacas de leite, e atribui ao filho a responsabilidade de levar os animais a pastarem na periferia da cidade; ele monta no cavalo e conduz a todos pela manhã e os traz de volta no meio da tarde. Acontece que o cavaleiro-mirim, não raro, experimenta um escorregão pelo pescoço do cavalo, pois é comum o animal, ao encontrar dejetos de outros, baixar a cabeça para farejá-los; nesse momento, a criança, sem força suficiente, tenta impedir o cavalo, puxando o cabresto em vão, e terminando arrastado pescoço abaixo, tipo escorregador ou tobogã. Agora, para voltar a montar precisará recorrer a uma calçada alta ou a uma cerca ali nas proximidades. Certa vez, o cavalo desembestou (correu sem controle) e garoto caiu, fraturando o rádio direito, próximo ao punho, e recebendo os cuidados do enfermeiro prático, conhecido pela alcunha de Dr. Joaquim Garrancho.
Também, nos festejos religiosos do mês de dezembro, em Alto Longá, por ocasião dos leilões, lá está o Saraivinha a participar dos lances, em especial quando se trata de um capão assado. Às vezes, acontece ter alguém ali na plateia que não conhece o garoto e, ao ouvir o seu lance, alerta ao leiloeiro para não considerar o mesmo, pois é falado por uma criança. Porém, o leiloeiro já sabedor do crédito do Saraivinha, finge não ouvir o alerta. Resultado: Saraivinha arremata o capão assado, pede para colocar na conta do pai, recebe o produto na bandeja e ruma para casa, a exibir o “troféu” e contar o acontecido aos pais. No dia seguinte, o pai já se prepara para ouvir os comentários dos amigos sobre a vivacidade do filho e, então, encher-se de orgulho.
Aos 27 anos de idade, o Dr. Sebastião Saraiva está presente na festa de colação de grau em Medicina, pela Faculdade de Medicina da Fundação Universidade do Maranhão (FUM). Mais tarde Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Nesse pequeno registro da vida dessa criança, três aspectos chamam a atenção: primeiro, o exemplo de união, trabalho e cumplicidade dos pais, vivenciado pelo filho; segundo, permitir à criança dar vazão ao seu potencial, oferecendo-lhe estimulo e confiança; e terceiro, fazer a criança sentir-se ouvida, amada e valorizada.
Naturalmente, outros fatores contribuem positivamente na construção de valores ao longo da infância dos filhos, contudo, esses três (bons exemplos, confiança e amor) parecem preponderantes na formação do caráter do futuro adulto, pois mostram, dentre outras coisas, o respeito, o trabalho, o estudo, a postura ética, o estímulo e o afeto, como constituintes de uma base sólida onde se assentarão as demais virtudes da pessoa rumo a uma vida futura digna e próspera.
Dois episódios para ilustrar:
Primeiro. Numa tarde de 1954, em Alto Longá, mãe e filho sentados à porta da casa, quando, passa na rua um amigo vaqueiro, o Sr. Pita. De repente, a mãe percebe que algo parece ter caído do bolso do amigo, uma vez que o cavalo movimentara a pata traseira de modo diferente.
– Meu filho, vá até ali, no meio da rua, e veja se tem algum objeto no chão, solicita a mãe.
– Olha, mãe, é uma carteira, e está cheia de dinheiro e documentos. A criança se aproxima e entrega o achado para a mãe.
– Agora, você vai à casa do seu Pita e lhe entregue a carteira. Certo?
– Certo, mãe. Responde Saraivinha, com ar de alegria, já vislumbrando uma recompensa.
Ao chegar à casa do amigo, bate palmas e a esposa do Sr. Pita vem atende-lo.
– Oi, Saraivinha, o que você deseja?
– Quero falar com o Sr. Pita, ele está?
– Está sim, acabou de chegar.
O dono da casa ouve a conversa e já se aproxima, reconhecendo o garoto e dizendo: entra aqui Saraivinha, o que lhe traz aqui?
– É que a sua carteira caiu do seu bolso, quando o senhor passou lá na frente da minha casa e eu a achei e vim lhe entregar; parte do dinheiro e dos documentos se espalharam, mas eu juntei tudo e coloquei de volta. Enquanto capricha na informação, mete a mão no bolso da calça e exibe a carteira que, de tão cheia, deixa à mostra partes das cédulas e dos documentos.
– Muito obrigado, Saraivinha. Vejo que está tudo em ordem; eu ainda nem havia sentido falta dela. Muito obrigado, mais uma vez.
– De nada, seu Pita. Responde o menino, em tom menos animado, percebendo que a sua esperança em receber uma recompensa morrera no segundo “muito obrigado”. Então, se despede e vai embora.
Ao chegar em casa, sem conseguir esconder o seu desapontamento, desabafa: mãe, o seu Pita é “mão-de-vaca”, a senhora acredita que ele apenas me agradeceu, não me deu nem um dinheirinho?
– Meu filho, pela sua idade, eu compreendo a sua expetativa, mas, entenda uma coisa, esse “dinheirinho” que você esperava receber é insignificante diante do seu gesto de honestidade. E mais, fazer a coisa certa gera um sentimento bom e tão forte, que fica gravado para sempre na memória do feitor.
E pelo visto, a mãe tinha razão. Hoje, passados 78 anos, o filho relembra o diálogo.
Segundo. Relembrando outro fato, no meio do ano de 1961, aos 14 anos de idade, o pai chama o filho e estabelece o seguinte diálogo
– Meu filho, aproveitando o período das férias, vá amanhã a Bacabal e procure vender a nossa casa.
Vale registrar que as estradas, hoje BR, não são asfaltadas, e para percorrer os 254km de São Luís a Bacabal os ônibus costumam gastar em torno de 6 horas, no verão, e 12 horas no inverno, quando permanecem por pouco tempo presos nos atoleiros, locais esburacados e com acúmulo de muita lama. E mais, a maioria das transações comerciais é feita com o dinheiro em espécie, pois poucas pessoas trabalham com cheques; a venda de imóveis ocorre quase sempre através de recibos. Nesse caso em particular, um garoto de 14 anos, com certo grau de desenvoltura, termina por gerar confiança, bastando assinar o recibo e fornecer o registro do imóvel, dispensando a participação do cartório de imóveis. E mais, não se fala em assalto, principalmente, em ônibus. Logo, todas essas particularidades permitem a realização de tarefas dessa natureza.
– Sim senhor, meu pai.
No dia seguinte o pai acompanha o filho até a rodoviária, ali no bairro da Alemanha, onde hoje funciona um posto de combustível, em frente ao Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos. Ali o jovem é embarcado, levando o dinheiro suficiente para ficar uma semana e comprar a passagem de volta. Em Bacabal, fica hospedado na casa de uma vizinha, muito amiga de sua mãe, que nada lhe cobra pela hospedagem. Em dois dias Saraivinha vende a casa, e retorna no terceiro dia, com o dinheiro da venda no bolso, e com o sentimento do dever cumprido.
A sua trajetória de estudante.
Tudo começa na cidade de Alto Longá, há 80km de Teresina-PI., Saraivinha passa a estudar no Grupo Escolar Municipal e, dentre os colegas, destaca o Demerval. Depois vai estudar com a professora Geralda, esposa do Sr. Temístocles e mãe do colega Haroldo. Também, recebe aulas de reforço em matemática, com a professora Aldira, esposa do Sr. Zezito. A metodologia é eficaz e muito atual; todos leem (cantando) a tabuada em conjunto e em voz alta; a seguir a professora pede para fechar a tabuada, então, dá início à arguição individual; quem erra recebe um “bolo” de palmatória, dado com relativa força e com pouca delicadeza; às vezes, é permitido ao indagador dar o “bolo” no colega que não responde ou que erra na resposta. Mas o colega arguidor não pode ser generoso, senão recebe um “bolo” caprichado da professora.
Um parêntese para citar alguns contemporâneos de Alto Longá:
Chaguinha, filha do Zaca; Carlito, filho do Azarias; Chico e José de Paula, filhos do seu Alfredrão; Jaguarão (O Dr. Sebastião Saraiva lhe faz uma visita, em Alto Longá, em 2013, já convalescente de um câncer de próstata); Haroldo; Osmar (apelidado de “cara de prato raso”); Bico Doce; Denise filha do Sr. Magalhães; as irmãs Vanda e Valda (há anos, a Valda é casada com o Luís, que é irmão do Carlito, esposo da Jacira, prima legítima de Saraivinha; e todos residentes em Teresina até hoje (setembro de 2025). Em relação aos adultos, destacam-se os comerciantes do mercado: Berto, da quitanda; Ângelo, do quiosque de secos e molhados; Tomé, açougueiro; Pereira, do caldo de cana; Zaca, do arroz doce; Chico Marinheiro, da loja de tecidos; Pitosa, da farmácia. E mais, o Sr. Almeida, diretor dos Correios, chefe do seu pai; o enfermeiro-prático, Joaquim Garrancho (este socorreu o futuro médico, com uma “tala” no braço por ocasião de uma queda do cavalo com consequente fratura do rádio direito); e a dona Isabel, protestante e revoltada com as crianças que jogavam paus para derrubar os cajás do seu quintal. De forma especial, convém mencionar os vizinhos Chico Marinheiro e dona Francisca, pais dos cinco coleguinhas e vizinhos: Lindalva, Luís Carlos, João Carlos, Humildes e Carlitinho. O Luís e o João já faleceram. A sua ligação com o Luís Carlos era de irmão; quando por ocasião da sua aprovação no vestibular de medicina, no fim do ano de 1968, o abençoado vai a Alto Longá e, por cuidado, zelo e afeto, traz o colega Luís Carlos para vir morar consigo e sua família, em São Luís. Depois de alguns anos, a irmã, Maria dos Humildes, muda-se com o marido, de Bacabal para São Luís, ocasião em que o Luís Carlos vai morar com eles. Depois de muito, o Luís Carlos, ao entrar num ônibus, desequilibra-se, bate a cabeça no meio fio e vem a óbito.
Retomando a trajetória de estudante.
Agora, já residindo em Bacabal, Saraivinha é matriculado no Grupo Escolar Cleômenes Falcão, próximo ao campo de aviação. Depois passa a estudar na Escola Santo Antônio, atrás da igreja do mesmo nome, com a professora Leonildes, no bairro do Ramal. Dessa escola resta a lembrança de quatro colegas: Valmir, Márcia, Possidônio e Osmar. Este costumava cantar nas aulas de artes, a pedido da professora.
Em São Luís, no 2º semestre do ano de 1960, o garoto (13 anos) é matriculado na 3ª Série do Primário, no Grupo Escolar Governador Matos Carvalho, à rua Raimundo Corrêa, no Monte Castelo, passando a estudar com a professora Luzinha Sá, uma parente “distante”; ela, hoje (Set/2025) reside em Teresina/PI. Nesse período, Saraivinha frequenta a escola no turno matutino, recebe aulas de reforço à tarde, na casa da mesma professora, residente três ruas depois da sua e, voltando, passa a ajudar os pais na quitanda. Durante as férias, essa ajuda se dá em tempo integral. O envolvimento maior do garoto na dinâmica familiar o torna maduro precocemente.
Convém lembrar que o Curso Primário inclui a 5ª Série e, só a partir da sua conclusão é que o aluno adentra ao Curso Ginasial, exceto se ele, finalizando a 4ª Série, vier a ser aprovado no Exame de Admissão. Este, de forma análoga, é um “vestibular”.
Em 1961, Saraivinha cursa a 4ª Série pela manhã e passa a frequentar o Curso de Exame de Admissão à tarde. No fim do ano ele é aprovado no Colégio de São Luiz, onde conclui os cursos Ginasial (1962–1965) e Colegial (1966–1968). No fim de 1968 é aprovado no Vestibular para Medicina, na Faculdade de Medicina da Fundação Universidade do Maranhão (FUM). São seis anos (1969–1974) de dedicação na realização de um sonho!
Um pequeno detalhe: em 1965, depois das primeiras aulas de Inglês, resolve consultar o professor Ivan, sobre a possibilidade de receber algumas aulas particulares. Nessa época, alia-se ao colega de trabalho (Casa Marc Jacob), Alvacir Ferreira Marques (hoje médico psiquiatra), que tem um grupo – Carlos Marques (irmão), Zacarias, Walber Miranda e Ítalo Elmo Guimarães – de estudo e prática da língua inglesa em sua casa, à Rua Isaac Martins, próxima à Fonte do Ribeirão. Isso depois das 22:00h. Assim, tem início os seus passos rumo ao IBEU (Instituto Brasil-Estados Unidos), depois ICBEU (Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos). A ideia é concluir o Curso em 1967 e se tornar professor do idioma enquanto estiver na condição de acadêmico de medicina (1968 –1974), uma atividade laboral compatível, uma vez que a faculdade exige dois turnos e, por outro lado, as férias de ambas são coincidentes. E assim acontece. O rapaz compartilha o seu projeto com o Sr. Romão dos Santos, seu empregador, e pede as contas, no início de 1968, quando passa a lecionar Inglês em escolas particulares do segundo grau – Escola São Vicente de Paulo; Escola Dom Bosco; e Colégio de São Luiz – pela manhã; frequenta o Cursinho para Vestibular Prof. José Maria do Amaral, no turno da tarde; e conclui o 3º Ano Colegial no Colégio de São Luiz, à noite.
A sua trajetória de trabalho.
Em 1962, aos 15 anos de idade, cursando 2º ano do Ginásio (atual 7ª Série do Ensino Fundamental II ou maior), opta por se transferir do período vespertino para o noturno, objetivando trabalhar fora, deixando de ajudar na quitanda para experimentar a independência econômica. Assim, passa por várias empresas – Casa Niterói, do João Lucas, parente distante, no centro da cidade, ao lado do Ferro de Engomar; Armazém São Paulo, com o gerente, o Sr. Henrique, ali no início da rua Oswaldo Cruz; Casa Marc Jacob, na rua Oswaldo Cruz, sob a gerencia do Sr. Antônio; Companhia Importadora e Exportadora Moraes, na Av. Magalhães de Almeida (atual Bradesco), comandada pelos sócios, Almir Moraes, Sebastião Caracas e Oliveira; Romão dos Santos & Cia. Ltda. (Casa Âncora), com os sócios Romão dos Santos, Antônio e Joaquim, na rua Portugal, na Praia Grande (atual Projeto Reviver). Essa é considerada a sua primeira fase de trabalho, que termina no início de 1968, dando lugar à segunda fase, o exercício do Magistério; e, por fim, a terceira fase, a sonhada atividade médica.
Um pequeno detalhe: antes de entrar no mercado de trabalho, o garoto (15 anos de idade) matricula-se com a professora Elvira Pinheiro – encontro casual em um almoço num restaurante da cidade, já com seus 99 anos de idade, a completar em 03/09/2025, vide foto – a proprietária da Escola de Datilografia Ruy Barbosa, no Monte Castelo, sendo diplomado em 25 agosto de 1962. Essa capacitação viria lhe garantir aprovação no teste para admissão ao emprego da Casa Marc Jacob, em 1964, como auxiliar de escritório ou auxiliar do contador Elmo.
O carinho por aqueles que cruzaram o seu caminho é correspondido pelo “acaso”, que proporciona encontros inesperados. Foi assim no dia 8 de dezembro de 2019, a ex-colega de trabalho da Casa Marc Jacob, Maria Augusta, aparece à sua frente e logo é convidada a registrar o momento.
Ao longo dessa estrada do jovem estudante-trabalhador, há alguns momentos interessantes a serem registrados:
Casa Niterói, de propriedade do Sr. João Lucas, um primo distante, pelo lado materno, é onde acontece a primeira experiência do trabalho fora de casa, deixando o jovem em grande expectativa. Ele sente ali a sensação de estar no comando da sua própria vida, ou seja, o peso da responsabilidade.
Armazém São Paulo, tem como gerente o Sr. Henrique, que mais tarde o descobre como colega do seu pai, à época de jovens, em União-PI. A ideia de mudar de empresa está na possibilidade de melhorar o salário. E, ao se apresentar ao gerente, dizendo-se interessado em trabalhar com tecidos, estabelece-se o seguinte diálogo:
– Se você se diz interessado em trabalhar com tecidos, você os conhecem bem, certo?
– Infelizmente, não; essa será a minha primeira vez
– Mas, para trabalhar aqui, você precisa conhecer os tecidos
– O senhor tem, razão. Mas, podemos fazer o seguinte: o senhor me dá a chance de ficar aqui por uma semana, se eu conseguir aprender o senhor me contrata, caso contrário, o senhor me dispensa
– Como é o seu nome mesmo?
– Sebastião Saraiva
– Por essa sua proposta, você já está empregado. Pode começar amanhã, às 7h da manhã. Apresente-se vestido de calça preta, camisa branca de mangas compridas e gravata preta, conduzindo uma tesoura de ponta romba.
– Sim senhor, muito obrigado
Nessa primeira semana, a título de adaptação ou experiência, o novo empregado ainda não recebe o “Bloco”, material de trabalho onde são registradas as vendas, para efeito da contabilidade e do registro da produção do empregado e, consequentemente, do cálculo do percentual a receber no fim do mês, pois o ganho é por comissão.
Diante dessa condição, o novato escolhe um veterano e passa a registrar as suas vendas no seu “Bloco”. O Saraiva escolhe o Pereira (21/04/1936 † 13/03/2023) que, no terceiro dia, descobre que o mesmo é piauiense, e da cidade de Alto Longá, cidade onde morara quando criança. Então, a amizade se inicia, a ponto de mais tarde vir a namorar com a sua cunhada. O namoro demorou por 5 anos, e a amizade com o Pereira permaneceu até seu fim de vida, aos 87 anos.
Casa Marc Jacob, empresa que comprava a produção de cera de carnaúba do seu avô materno, a ser exportado e utilizado na fabricação de discos de 78 rpm. Estes foram substituídos, a partir de 21 de junho de 1948, pelo material plástico chamado policloreto de vinila ou Polyvinyl Cloride (PVC), descoberto pelo engenheiro Peter Carl Goldmark, empregado da Columbia Records.
Certo dia, no início do mês de dezembro, o Sr. Elmo, contador e chefe do escritório, faz a seguinte convocação: todos continuando, das 18 às 22h, por todo esse mês de dezembro, para trabalharmos em cima do balanço da empresa.
De pronto, Saraiva se posiciona: Sr. Elmo, desculpe, mas, pelo menos, nessa primeira quinzena não poderei ficar, pois estarei tendo provas finais no colégio.
A resposta vem de imediato: aqui nós não queremos doutores.
Essa colocação termina por provocar no funcionário o sentimento de que está no lugar errado, uma vez que o seu objetivo é ser doutor. Assim, só comparece ao trabalho noturno a partir da segunda quinzena, e já passa a pensar em mudar de empresa, o que vem acontecer no fim de maio de 1965.
Companhia de Importação e Exportação Moraes, já no primeiro dia de junho começa a trabalhar, como auxiliar do contador Mário e sob o comando direto do sócio Sebastião Caracas e indireto do sócio majoritário Almir Moraes.
Episódio Sebastião Caracas: com a necessidade de apresentar o balancete mensal à empresa fornecedora dos veículos Ford, para efeito de aquisição das unidades para o período, pede que ao Saraiva que encerre o balancete e o envie para São Paulo, pelos Correios, nos próximos 3 dias. O jovem debruça-se sobre o trabalho, procede todos os lançamentos, mas, na hora de fechar o balancete, aparece uma diferença de cinquenta centavos. E isso impede o fechamento e o consequente envio do balancete, conforme a recomendação. No décimo dia, 7 dias após o prazo previsto, sem encontrar o erro contábil, Saraiva reconhece a gravidade da situação e passa a se considerar despedido.
Na manhã do décimo-primeiro dia, Caracas chega à mesa do funcionário, quando tem início o diálogo:
– Bom dia Saraiva, cumprimenta o patrão, com o seu sorriso característico (um sorriso breve alternado por um não-sorriso e outro sorriso).
– Bom dia Sr. Caracas. Antes que o senhor fale alguma coisa, quero apresentar as minhas desculpas pelo não cumprimento do previsto; eu consegui realizar todos os lançamentos, mas, infelizmente, uma diferença de cinquenta centavos não me permitiu fechar o balanço; e todo esse tempo eu tenho focado nesse ponto, mas em vão.
– Sente um pouquinho pra lá, passe os lançamentos aqui pra mim e vamos conferir
– Pois não
– Está aqui a diferença. Ele afirma e exibe uma folha mediana do segundo bloco, até então, conferido.
– Como pode, conferi esses lançamentos várias vezes e não detectei esse erro!
– Isso acontece; agora providencie o fechamento do balancete, para ser enviado ainda hoje.
Essa fala final, com tanta serenidade, compreensão e respeito, deixa o funcionário embraçado, mas aliviado. E mais, esse gesto de empatia produz um sentimento de admiração, que se eterniza no coração e na mente do jovem auxiliar de contabilidade.
Episódio Almir Moraes: quase no fim do mês de dezembro, em torno das 22h20, o Sr. Almir, retornando do teatro com a esposa Helena Moraes, passa na frente do prédio da empresa e observa as luzes ligadas. Então, para e sobe até o salão para apaga-las. Ao chegar, depara-se com o Saraiva, trabalhando.
– Boa noite, Saraiva, o que você está fazendo?
– Boa noite, Sr. Almir; estou intensificando o trabalho, dado o volume da movimentação por todo esse mês dezembro. Aliás, essa é a segunda semana que tenho ficado até às 23h.
– Mas o seu nome não estava na lista das horas extras na semana passada
– É verdade. É que essas horas extras decorrem da minha iniciativa pessoal e não da necessidade da empresa, logo, no meu entender, não devem configurar como horas extras.
A partir desse fato, parece que a relação patrão/empregado ganha algo fraternal. O Sr. Almir Moraes Correia (1914†1992), atualizando a sua coleção de selos com algumas estampas recebidas do filho Francisco, ora residindo nos Estados Unidos, motiva o Saraiva, também, filatelista, a lhe solicitar alguns selos duplicados. Dessa forma, surgem momentos em que ambos trocam “figurinhas”. E esses momentos ficam eternizados no coração e na memória do jovem e dedicado empregado. E, por mais um acaso, em 21/11/2024, Saraiva encontra-se com a sua filha Mariza e passa a mencionar alguns aspectos da sua relação com seu saudoso pai e exaltando suas virtudes com demonstração de orgulho e gratidão àquele magnânimo ser humano. Em contrapartida Mariza informa que a sua mãe Helena, com 102 anos de idade, ainda esboça relativo grau de disposição. Ambos concordam em documentar esse encontro.
Casa Âncora. Romão dos Santos & Cia. Ltda. Como de hábito, a casa é aberta e fechada pelo contínuo, isso pela manhã, no meio do dia (fecha no horário do almoço, das 11h30 às 13h30) e no fim da tarde, término do expediente. Certo dia, depois do almoço, o Sr. Romão chega antes do contínuo, abre a porta do seu carro, um DKW Vemag Belcar, e marcha em direção à porta, com a intenção de abri-la. Nesse instante, o Saraiva, que estava reunido com alguns colegas de trabalho a conversar, encaminha-se e se antecipa ao Sr. Romão e levanta a porta, menos pesada para um jovem de 20 anos de idade, quando ouve:
– Saraiva, você não é contínuo, logo abrir a casa não é a sua função
– Sr. Romão, em parte, o senhor tem razão, mas eu aprendi com meus pais que, onde tem jovens os mais velhos não devem fazer força.
– Está bem.
Ao retornar o colega prestativo ouve: não é legal puxar saco de patrão.
Cada um tem o direito de pensar e viver como acha; na educação familiar que eu tive, gestos como esse significam consideração e respeito aos mais velhos.
Fato é que, a partir desse episódio, o Sr. Romão parece ter acrescido uma pitada de afeto na sua relação com o jovem funcionário. E isso fica claro em dezembro de 1967, quando o mesmo informa sobre a sua decisão em deixar a empresa já no mês de fevereiro.
– Sr. Romão, quero informar ao senhor sobre o meu projeto para o próximo ano – pela manhã, lecionar em escolas do segundo grau; à tarde, frequentar o Cursinho Pré-vestibular (para Medicina); e à noite, concluir o 3º Ano do Colegial – e, por conta disso, estarei saindo da empresa. Mas, levando comigo o mais profundo sentimento de gratidão.
– Está bem, mas é melhor pensar um pouco mais sobre essa decisão.
Na segunda quinzena de fevereiro, Saraiva escolhe compartilhar os seus planos com o experiente colega e contador, o Sr. Penha. Este ouve e acrescenta: eu já estou informado, inclusive, o Sr. Romão pediu que, mesmo com o seu desligamento da empresa, você deixe a sua carteira de trabalho comigo pelo prazo de 30 dias, tempo que ele considera suficiente para saber se os seus planos deram certo.
No fim de março, já com as novas atividades a pleno vapor, o rapaz volta à Casa Âncora para conversar com o contador.
– Sr. Penha, bom dia. Tudo em ordem? E o Sr. Romão?
– Bom dia, Saraiva, tudo certo
– E o senhor Romão, saiu?
– Saiu sim, mas, há três dias assinou a sua carteira e me devolveu. Ei-la.
O jovem recebe a sua carteira de trabalho e se surpreende com a presença de algumas notas no seu interior.
– Sr. Penha, e esse dinheiro aqui, do que se trata?
– É o valor correspondente ao seu salário desse mês.
– Como assim, se eu não trabalhei?
– O Sr. Romão que me autorizou a lhe repassar. Certamente, a título de gratificação.
– Sr. Penha, muito obrigado por tudo. E ao Sr. Romão, deixo a minha gratidão e o meu fraterno abraço.
– Meu rapaz, meus votos de sucesso, e que Deus lhe ilumine!
– Mais uma vez, muito obrigado.
Emocionado e agradecido pelo nobre e espontâneo gesto de colaboração financeira do empregador, o jovem se despede e vai embora.
A nova etapa de vida profissional, agora no contexto pedagógico, inicia-se com o vínculo em três escolas tradicionais de São Luís: o Ginásio São Vicente de Paulo, uma escola feminina, dirigida por freiras; o Colégio de São Luiz, sob a liderança do conceituado educador, o professor Luiz de Moraes Rego; e o Colégio Dom Bosco do Maranhão, tendo à sua frente o renomado professor Luiz Pinho.
A sua caminhada abençoada na formação familiar.
Em 27 de abril de 1974, ano da sua formatura, casa-se com Helena Cristina Ferreira Rocha (01/05/1952), com a qual tem dois filhos – Thiago Rocha Saraiva (24/04/1979) e Victor Rocha Saraiva (07/09/1981); tem a sua segunda núpcia com Diva Bernardes Badaró Lopes da Silva (29/07/1952 † 15/04/2019), viúva e mãe de Marina Freire Badaró Lopes da Silva (26/02/1982), amada pelo novo pai, que completa o quarteto com a chegada do filho Eduardo José Freire Saraiva, em 17/02/1991); e por fim, casa-se com Cynthia Saraiva Matos (21/10/1971).
Da união de Thiago e Daniela, resultam os gêmeos Theo (12/01/2013 † 16/01/16) e Isadora (12/01/2013). Theo nasce com uma síndrome, é submetido a várias cirurgias e em a óbito aos 3 anos de idade; Victor casa-se com Lara e tem o filho Luan (04/01/2011); Marina casa-se com Leonardo e tem o filho Kevin (26/12/2010); e Eduardo casa-se com Gabriela e tem o filho Pedro (12/11/2025).
Dentro de uma filosofia de vida, onde o afeto e a maturidade se associam à compreensão da dinâmica Universal, a relação familiar torna-se doce, e todos convivem em plena harmonia e participam integralmente dos diferentes momentos de celebração da vida.
Esse Ser humano preenche os seus belos dias com trabalho profissional e outras atividades – leituras, estudos, escritas, motociclismo, filatelia, atividade física regular e viagens – que também lhe proporcionam prazer. E paralelamente à sua prática meditativa, contempla a alimentação como aspecto fundamental para a manutenção da saúde e a desaceleração do processo de senescência.
Para concluir, não raro, ouve-se desse insigne Ser: A consciência existencial reconhece a breve passagem nesse planeta como um fenômeno de aprimoramento do espírito que cada um é, mediante à sua escolha frente ao livre arbítrio.
